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Agência Minas

O Palácio da Liberdade

O Palácio da Liberdade foi projetado por José de Magalhães e erguido pela Comissão Construtora da Nova Capital tendo à frente os engenheiros Aarão Reis e Francisco Bicalho.

 
O estilo neoclássico, abre espaço para elementos diversos do ecletismo, sobretudo na ornamentação. Uma das características mais marcantes do edifício é a fachada de pedra em cantaria, coroada pelo busto representativo da Liberdade em sua imagem clássica. Prevalece o gosto europeu vigente no fim do século XIX, traço que desenhou muitas edificações brasileiras da época.
 
Merece destaque a bela escadaria de ferro e mármore de Carrara, que liga os dois pavimentos do Palácio. Ela foi projetada no Brasil e construída nas oficinas Aciéries Bruges, na Bélgica. O novo sistema Joly na confecção desta escadaria garantiu premiação na Primeira Grande Exposição Industrial de Londres.
 
Podemos ver sob as laterais da clarabóia, que ilumina todo o saguão, as pinturas alegóricas à Liberdade, Fraternidade, Ordem e Progresso, oriundas do positivismo. Ali se encontra, também, o Brasão simbólico da criação da República, onde se vê inscrito o Lema dos Inconfidentes: Libertas quae será tamen.
No primeiro pavimento do edifício estão o vestíbulo, as salas de recepção, salas para o executivo e a galeria de retratos dos governadores. Nas obras da última restauração foi instalado um espaço multimídia.
 
Entre o primeiro e o segundo pavimentos, está um andar intermediário que compreende copa, cozinha, varanda e salas de trabalho, espaços que conservam a beleza arquitetônica do projeto original. No pavimento superior os Salões Dourado, das Medalhas ou das Comendas o Nobre, de Banquete e Vermelho e a Sala da Rainha dão o tom da nobreza ao exibirem móveis estilo Luís XV e XVI sobre os belos tapetes da época. Os torreões laterais acolhem varandas e preservam pinturas originais de influência romana nos forros.
 
O Salão do Banquete é decorado por painéis alegóricos com os temas: Spes (Pesca-Esperança), Fortuna (Cena de Caça), Labor (Trabalho), Salve (Saudação), de autoria de Frederico Steckel e composta por imigrantes europeus. Anjos, pássaros, flores e frutos em relevo e frisos dourados decoram as paredes, onde se destacam as colunas marmorizadas com capitéis dourados. Chama atenção a mesa central, retrátil, que atinge até 12 metros de comprimento e o grande lustre de cristal, Bacarat, com 40 tulipas artisticamente lapidadas. O piso em parquet impressiona pela beleza do seu desenho geométrico.
 
O Salão Vermelho apresenta ornamentação de evocação mourisca e rica pintura adamascada e abriga um raríssimo piano de cauda Bechstein.
 
No teto do Salão de Honra destaca-se um grande painel do pintor Antônio Parreiras de evocação mitológica, que substituiu o painel anterior do artista Belmiro de Almeida, obra que agora faz parte do acervo do Museu Mineiro. Os móveis de madeira folheados a ouro do Salão Nobre convivem com adornos de arte oriental antiga, vasos de Sèvres e peças raras de decoração.
 
Os jardins mantêm o aspecto original, com esculturas em mármore branco e postes vindos da Europa, que sustentam luminárias e águias de metal. A estufa com seu orquidário e o quiosque guardam as características da época. Complementa o cenário o pequeno lago onde nadam cisnes negros.
 
O Palácio da Liberdade foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais, IEPHA-MG, por meio do Decreto nº 16.956, de 27 de janeiro de 1975. Pelo Decreto 18.531, de 2 de junho de 1977, concluiu-se o tombamento de todo o conjunto arquitetônico e paisagístico da Praça da Liberdade.
 
Chrispim Jacques Bias Fortes foi o primeiro governador a ocupar o Palácio da Liberdade, em 12 de dezembro de 1897, data da inauguração da capital mineira.
 
Obras realizadas no Palácio da Liberdade
Em 1920, no Governo de Arthur Bernardes, foi realizada a primeira reforma do prédio, inclusive dos jardins, para receber os monarcas belgas.
 
Nos anos de 1966/67, durante o Governo de Israel Pinheiro, houve uma nova intervenção, quando foram colocadas as grades de proteção ao Palácio. Foi também neste período que os elementos artísticos/bens integrados foram restaurados, assim como o Quiosque localizado nos jardins.
 
Em 1980, no Governo de Francelino Pereira, o Palácio da Liberdade passou por outra importante intervenção para estabilizar as fundações e o solo, com a introdução de 700 estacas-raízes de cerca de 20 metros de profundidade, obra executada pela empresa italiana Fondedille.
 
Em 1993, no Governo de Hélio Garciaforam realizadas obras de restauração nos forros dos Torreões. Em 1999, o Governador Itamar Franco adquiriu um busto de Tiradentes, obra em bronze do escultor Bruno Giorgi, que foi instalado junto ao pavilhão da piscina.
 
Em 2003 foram feitos reparos na cobertura da edificação e em 2004, por iniciativa do Governador Aécio Neves, o Palácio da Liberdade passou por obras completas de restauração, incluindo a implantação de modernos sistemas de comunicação e de combate a incêndio.

 

 

Palácio

Fotografia: Osvaldo Afonso/Secom MG

 

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