Iepha entrega Capela de Nossa Senhora do Rosário
Iepha devolve à comunidade de Piranga, na Zona da Mata, a Capela Nossa Senhora do Rosário, após um ano de obras
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O Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha/MG) devolve, nesta sexta-feira (27), à comunidade de Piranga, na Zona da Mata, a Capela Nossa Senhora do Rosário após um ano de obras. A entrega está prevista para as 19h.
Tombada pelo Iepha/MG em abril de 1989, a singela capela é um típico exemplar da arquitetura religiosa difundida desde o setecentos no Vale do Piranga. Foram investidos R$ 590 mil, recursos do Iepha/MG, na realização de projeto e obras de restauração arquitetônica, incluindo execução de instalações elétricas, luminotécnico, alarme de incêndio, instalação de sistema de prevenção e combate a incêndio e pânico, instalação de sistema de proteção contra descargas atmosféricas, instalações de alarme, sonorização, telefone, drenagem e consolidação das estruturas arquitetônicas.
Na noite da reinauguração, que contará com a presença do vice-presidente do Iepha/MG, Pedrosvaldo Caram Santos, será entoado o Solene Te Deum, hino litúrgico, atribuído a Santo Ambrósio e a Santo Agostinho, cantado desde a idade média na Europa e tradição na comunidade do Rosário.
Devoção
A restauração da Capela foi significativa para toda a comunidade, mas para a família de dona Cacilda Nunes Fernandes, 99 anos, teve significado especial. Quando chegou a Piranga, há 60 anos, a capela chamou sua atenção e, desde então, sua devoção. Devoção que contagiou também seus filhos, como Clelinha, Fátima e Hebe, que possuem, anotados em uma agenda, todos os fatos relacionados à história da capela.
Desde que o Iepha iniciou as obras de restauração na capela, em 2010, após uma infestação de animais xilófagos, as atividades religiosas da comunidade do Rosário - catequese, adorações, novenas e missas - foram suspensas. Mas nem isso abalou a fé da comunidade. Enquanto não podiam utilizar o templo, eles se organizaram e arrecadaram dinheiro para comprar novos bancos, uma vez que os antigos não puderam ser recuperados.
Força da fé
Essa não foi a primeira vez que a comunidade se mobilizou em torno da recuperação da capela. Em fevereiro de 1988, após intervenção inadequada na tentativa de retirar o forro, o telhado desmoronou, por pouco atingindo as pessoas que estavam dentro da capela. A comunidade sofreu bastante sem o local para manifestar sua fé. Durante um ano o que restou da capela ficou exposto ao sol, chuva, vento e animais, até que os moradores se unissem e arrecadassem fundos para as obras necessárias.
Anos mais tarde, a comunidade precisou se juntar novamente, desta vez em uma corrente de orações. Após serem levadas para uma exposição na sede do Tribunal de Contas, seis imagens, atribuídas a Mestre Piranga, foram levadas da capela. Após muitas novenas para que as imagens retornassem, o pedido foi atendido. O mesmo criminoso foi preso roubando imagens em Passagem de Mariana (distrito de Mariana) e acabou confessando o roubo das imagens de Piranga. Foram recuperadas cinco imagens, uma delas, a Nossa Senhora do Rosário, foi totalmente descascada, deixada na madeira pura.